A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) avalia com grande preocupação a aprovação, em dois turnos na Câmara dos Deputados, da proposta que prevê o fim da escala 6×1. A entidade entende que mudanças dessa dimensão precisam ser discutidas com responsabilidade, equilíbrio e base técnica, considerando os impactos sobre a economia, os empregos, os custos operacionais e o abastecimento do país.
No Transporte Rodoviário de Cargas, os impactos tendem a ser especialmente severos. O setor possui operações contínuas e essenciais para o funcionamento da indústria, do comércio, dos hospitais, supermercados, farmácias e postos de combustíveis, além de já atuar sob as regras rígidas da Lei do Motorista (Lei nº 13.103/2015), o que limita a simples reorganização das jornadas.
A redução da carga mensal de trabalho, sem ganho equivalente de produtividade, elevará automaticamente os custos operacionais das empresas. Simulações do setor apontam aumento de aproximadamente 10% no custo por hora do motorista e necessidade de ampliação próxima de 18% da folha de pagamento para manutenção do atual nível operacional. Esse cenário inevitavelmente pressionará o valor do frete e terá reflexos diretos no preço final dos produtos ao consumidor.
A Fetrancesc também alerta para o agravamento da escassez de mão de obra qualificada, especialmente de motoristas profissionais, realidade já enfrentada pelo setor em todo o país.
A entidade reforça que a negociação coletiva é o caminho mais adequado para construção de soluções equilibradas entre empresas e trabalhadores, respeitando as particularidades de cada atividade econômica e garantindo segurança jurídica, competitividade e sustentabilidade para os negócios.
Dagnor Schneider
Presidente da Fetrancesc

